Crônicas de um Gato Laranja
Crônicas de um Gato Laranja
Laranja no Branco
Laranja no Branco

Jul 16, 2025
Jul 16, 2025
Era uma tarde quente, por volta das 15h48, a brisa soprava suavemente. Deitado no parapeito da janela da moça que pinta, eu tirei alguns cochilos aqui e ali. Até que pelo canto do olho a vi entrando no apartamento devagar e pegando um quadro em branco. Ela se sentou no chão numa posição em que podia me observar atentamente e começou a sujar o pincel de tinta laranja. Em outros momentos eu teria saído do lugar ou me mexido apenas para irritá-la, mas estava tão quente e a brisa estava tão gostosa ali que não movi um pelo.
Foi quando de repente ouvi um latido que me fez dar um pulo. A moça também se assustou. Olhando para baixo, vi o peludo amarelo do outro lado da rua me olhando — Tinha que ser ele — pensei.
Num movimento, pulei para dentro do apartamento e me sentei ao lado dela para ver o que havia saído de seus poucos minutos de inspiração. A pintura era engraçada: um borrão laranja escuro no meio do quadro. De certa forma, ele se parecia mais com ela do que comigo: suas roupas sujas de tinta, seu apartamento que cheirava a aquarela e café. A pintura me lembrava tudo isso. Ela então respirou fundo e disse num tom desanimado — Não é bom o suficiente.
Olhando ao redor enquanto ela se levantava e guardava os pinceis que há pouco segurava com tanta vivacidade, notei que ela nunca fazia quadros de si mesma, mas mesmo assim, todos se pareciam com ela.
Talvez fosse por isso que às vezes chegava triste do lugar que chama faculdade, “eles não gostaram, de novo”, dizia. Talvez ela só quisesse que gostassem dela, mas humanos quando olham para um borrão num quadro, veem apenas um borrão num quadro.
Dei um miado como forma de consolo e me aconcheguei ao lado do sofá de onde podia observar a pintura e acabei pegando no sono, sonhando com um mundo totalmente branco cheio de borrões laranjas.
Era uma tarde quente, por volta das 15h48, a brisa soprava suavemente. Deitado no parapeito da janela da moça que pinta, eu tirei alguns cochilos aqui e ali. Até que pelo canto do olho a vi entrando no apartamento devagar e pegando um quadro em branco. Ela se sentou no chão numa posição em que podia me observar atentamente e começou a sujar o pincel de tinta laranja. Em outros momentos eu teria saído do lugar ou me mexido apenas para irritá-la, mas estava tão quente e a brisa estava tão gostosa ali que não movi um pelo.
Foi quando de repente ouvi um latido que me fez dar um pulo. A moça também se assustou. Olhando para baixo, vi o peludo amarelo do outro lado da rua me olhando — Tinha que ser ele — pensei.
Num movimento, pulei para dentro do apartamento e me sentei ao lado dela para ver o que havia saído de seus poucos minutos de inspiração. A pintura era engraçada: um borrão laranja escuro no meio do quadro. De certa forma, ele se parecia mais com ela do que comigo: suas roupas sujas de tinta, seu apartamento que cheirava a aquarela e café. A pintura me lembrava tudo isso. Ela então respirou fundo e disse num tom desanimado — Não é bom o suficiente.
Olhando ao redor enquanto ela se levantava e guardava os pinceis que há pouco segurava com tanta vivacidade, notei que ela nunca fazia quadros de si mesma, mas mesmo assim, todos se pareciam com ela.
Talvez fosse por isso que às vezes chegava triste do lugar que chama faculdade, “eles não gostaram, de novo”, dizia. Talvez ela só quisesse que gostassem dela, mas humanos quando olham para um borrão num quadro, veem apenas um borrão num quadro.
Dei um miado como forma de consolo e me aconcheguei ao lado do sofá de onde podia observar a pintura e acabei pegando no sono, sonhando com um mundo totalmente branco cheio de borrões laranjas.
Era uma tarde quente, por volta das 15h48, a brisa soprava suavemente. Deitado no parapeito da janela da moça que pinta, eu tirei alguns cochilos aqui e ali. Até que pelo canto do olho a vi entrando no apartamento devagar e pegando um quadro em branco. Ela se sentou no chão numa posição em que podia me observar atentamente e começou a sujar o pincel de tinta laranja. Em outros momentos eu teria saído do lugar ou me mexido apenas para irritá-la, mas estava tão quente e a brisa estava tão gostosa ali que não movi um pelo.
Foi quando de repente ouvi um latido que me fez dar um pulo. A moça também se assustou. Olhando para baixo, vi o peludo amarelo do outro lado da rua me olhando — Tinha que ser ele — pensei.
Num movimento, pulei para dentro do apartamento e me sentei ao lado dela para ver o que havia saído de seus poucos minutos de inspiração. A pintura era engraçada: um borrão laranja escuro no meio do quadro. De certa forma, ele se parecia mais com ela do que comigo: suas roupas sujas de tinta, seu apartamento que cheirava a aquarela e café. A pintura me lembrava tudo isso. Ela então respirou fundo e disse num tom desanimado — Não é bom o suficiente.
Olhando ao redor enquanto ela se levantava e guardava os pinceis que há pouco segurava com tanta vivacidade, notei que ela nunca fazia quadros de si mesma, mas mesmo assim, todos se pareciam com ela.
Talvez fosse por isso que às vezes chegava triste do lugar que chama faculdade, “eles não gostaram, de novo”, dizia. Talvez ela só quisesse que gostassem dela, mas humanos quando olham para um borrão num quadro, veem apenas um borrão num quadro.
Dei um miado como forma de consolo e me aconcheguei ao lado do sofá de onde podia observar a pintura e acabei pegando no sono, sonhando com um mundo totalmente branco cheio de borrões laranjas.
Confira as crônicas anteriores
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